Sempre fora diferente de todos. Quando criança, todos gostavam dos convencionais ursinhos de pelúcia, enquanto gostava de girafas, dinossauros e macacos. Por volta dos 10 anos, enquanto todos pensavam em como iriam se comportar pra ganhar presentes de fim de ano, sonhava em como seria sua vida daqui há 10 anos, pensava em como seus textos seriam, se multidões se identificariam com seus sentimentos e palavras. Em sua adolescência, enquanto todos viviam suas vidas de forma insana e 'arrebatadora', vivia a sonhar com o dia em que seria dono de si, sonhava com o dia em que a sua vida realmente seria sua, sonhava com o dia em que deixaria de ser um fantoche na mão de pessoas que acreditavam fazer o seu bem, mas só faziam o contrário.
Ainda que fosse de uma geração onde todos amam a tudo e todos intensamente e verdadeiramente, sempre fora frio, com poucos amigos e uma dificuldade imensa de amar e confiar em qualquer pessoa. Sempre fora julgado por suas ações, seu gosto musical, seu cabelo, sua forma de vestir, agir ou até mesmo pensar. Quantas vezes, ó céus, quantas vezes fora comparado a pessoas totalmente falsas, podres de alma e coração e ambiciosas pelas ramificações ruins da vida, ainda que sempre tentasse fazer o certo. Por um bom tempo, aguentara calado, guardara tudo para si, achava sua opinião irrelevante. Porém, um dia toda criança cresce, toda lagarta vira borboleta. Então começara a definitivamente ter voz, a cuspir seus anseios e opiniões sobre tudo e todos, pois, pense bem, estando calado e sem dar motivos, já fora julgado mil vezes; então, já que de qualquer forma seria julgado, que o fizessem com algum motivo, algum real motivo. Passara a fazer isso, a agir assim. Será possível imaginar o que aconteceu?
Sempre amara o mar, o Sol, as estrelas, o mundo. Sempre quisera conhecer cada canto dessa planeta tecnicamente redondo quando se trata de forma, mas redondamente enganado quando se trata de opiniões, sempre fora diferente, sempre fora o não convencional.
Sempre gostara de R&B enquanto todos adoravam pagode, gostara de rock enquanto todos gostavam de possíveis músicas de um possível amor que nem mesmo nos filmes era passado. Sempre fora diferente.
Sempre fora arrogante, imponente, metido a autossuficiente, mas nunca imprudente. Sempre vivera em sem mundinho fechado, desarrumado e completamente confuso, pois era ali que podia ser ele mesmo. Sempre quisera ser importante de qualquer forma na vida de alguém. Sempre quisera um amor, até então inexistente nos filmes americanos ou franceses quem sabe. Sempre quisera descobrir algo magnífico que mudaria o rumo da ciência, que mudaria o mundo pra uma forma melhor ou pior, nunca se sabe.
Nunca gostara de perdas. De nenhum tipo, ainda que fosse de um singelo fio de cabelo que logo seria substituído por mais ou quem sabe dois fios do mesmo. Sempre fora covarde, ainda que tentasse parecer corajoso na frente de todos. Nunca tivera ninguém que o ensinasse a amar, mas sempre sonhara com isso. Nunca tivera aval sobre sua vida, que lhe foi concedida, que é sua por direito e ainda com todos os motivos necessários para se rebelar, sempre fora prudente, acreditando na utópica possibilidade de que talvez, por seus bons atos, recebesse como recompensa, a sua vida em suas próprias mãos, que tivesse direitos sobre ela.
Nunca tivera a vida que pediu a Deus um dia, mas sempre e pra sempre, mantivera/manterá a esperança de que um dia, suas diferenças serão notadas e será considerado como alguém único, talvez até importante, talvez até amado por alguém, talvez respeitado e talvez realizado, ou quem sabe, que se tornará alguém que não seja tão indeciso, que seja repleto de certezas e não incertezas que não tenha medos e que coragem seja o item responsável por sua vida. Talvez, só talvez. Talvez um dia, quem sabe, deixará de ser tragado ferozmente por suas incertezas e que por fim, se sinta normal e quem sabe até completo, se é que isso pode ser considerado como um fim para ele, para mim, para tu, para nós.
Nenhum comentário:
Postar um comentário